Vamos juntas!

No início de 2015 eu fui pela primeira vez a um TEDx, o #TEDxSãoPauloWomen, um encontro no qual mulheres subiram ao palco e em cerca de 20 minutos falaram sobre experiências pessoais que as levaram a viver e criar projetos inspiradores, impactando positivamente a vida de outras mulheres – crianças, jovens e homens também – em seu entorno ou em todo o país.
Eu estava lá por causa de uma dessas mulheres, a Jules de Faria, da organização Think Olga. Por meio da Olga, co-fundada por Jules, eu pude olhar para as situações de assédio sofridas desde a infância e compreender que eu não tinha culpa por tudo de negativo que me aconteceu em espaços públicos por eu ser mulher. No intervalo, pude abraçar a Jules e agradecê-la pelo trabalho da Olga, fruto de uma dor compartilhada por tantas de nós, que vinha nos libertar da culpabilização de vítimas de assédio e abusos sexuais.

Naquele dia, eu me emocionaria mais um cadinho de vezes com as histórias contatas pelas mulheres que lá estavam. Diane Lima, do NoBrasil, que por meio da estética busca o resgate e a valorização da cultura negra, falou especialmente ao meu coração.

“se a menina quer deixar o cabelo solto, deixa o cabelo da menina no mundo.”

{ mãe de Diane Lima, numa frase que virou projeto inspirador! }

Neide Santos Silva – que mulher! que coragem! que inspiração – também usou da dor para mudar a vida de um bairro na zona sul de São Paulo e colocou todo mundo para correr no Projeto Vida Corrida. Laura Sobral nos mostrou a importância de ocupar os espaços públicos, que nos pertencem, transformando um local, como fez com parceiros no Largo da Batata, que deu origem ao Instituto A Cidade Precisa de Você.

Isso de ouvir histórias de pessoas que modificam suas vidas e de outras tantas pessoas começou há algum tempo. Há alguns anos, fui ouvir a Mayra Fonseca e a Ana Luiza Gomes, do então Brasil com S, uma plataforma de curadoria sobre a cultura brasileira, as histórias espalhadas pelos cantos desta nação. Olhar para nosso país, nossas raízes e compartilhar nossa riqueza cultural, nos conectando a quem somos, me fez querer ver de perto essas duas minas inspiradoras, que seguem em outros projetos hoje. Mayra toca a iniciativa Brasis e Ana, o Andarilha, entre outros.

Ano passado, a Déborah me falou do Festival Path, que aconteceria em maio, aqui em São Paulo. Olhei os paneis e lá fui eu atrás de mais gente inspiradora.

Comecei com Fernanda Cabral, que eu já conhecia do TEDxSãoPauloWomen, co-fundadora da iniciativa #ImaginaNaCopa, hoje Imagina Coletivo, já me pegou de jeito, novamente, falando de da necessidade de nos abrirmos para outras histórias e narrativas – é preciso sair da nossa bolha, galera – para podermos criar um universo mais harmônico. Em sua fala ela afirma que ocupando os espaços e criando nossas próprias narrativas, construímos novos cenários.

No primeiro dia do Path eu ouvi novamente Diane Lima e pude abraça-la em agradecimento por seu trabalho.

E minha roda de seres inspiradores cresceu. Ouvi a potência que é Stephanie Ribeiro, feminista negra, num painel sobre “Homem e Igualdade de Gênero”. E, claro, lá fui eu para roda proposta pelas mulheres da Think Olga, “Revolução Feminista na Internet”, na qual ouvi a Semayat do Nós, mulheres da periferia, um coletivo que veio dar voz à mulher periférica – hoje tem Pré-estreia do documentário Nós, Carolinas, produzidos por elas, na Sala Olido (SP) , e conheci o fenômeno que é Monique Evelle, jovem empreendedora em Salvador, fundadora do Desabafo Social.

Quando acompanho o trabalho dessas e outras mulheres, outros fazeres e personagens igualmente inspiradores entram em minha vida. Uma leva a outra, que leva a outra, que leva a outra. Novos saberes são apresentados, novas visões de mundo, novos jeitos de estar e atuar em sociedade… a (minha) mente e (meu) coração parecem explodir, para em seguida passaram por uma transformação… uma expansão de consciência. Uma experiência maravilhosa.

Curiosamente, não são profissionais da minha área de atuação que busco ouvir em palestras ou em sites de internet. Porém, todas as que ouço modificam não só minha forma de observar o mundo, como minha forma de ser profissional.

Há muitas mulheres, profissionais competentes, das mais diversas áreas, que precisam ser reconhecidas. A equidade de gênero ainda é um ideal, mas a caminhada começou e tende a seguir em evolução. Que bom.

Na Balloon, a gente, sempre que possível, opta por trabalhar com outras mulheres. Por valorizar o fazer de outras mulheres. Por ouvir outras mulheres. É nossa forma de fazer com que, seja no dia 8 de março, data importante para luta, debate e reflexão, ou em qualquer dia do ano possamos ocupar os espaços que desejarmos.

Entendemos que juntas, somos mais fortes. Vamos além. E chegaremos a esse lugar de equidade de direitos.

Vamos juntas!