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Foram duas semanas sem celular. Duas semanas sem WhatsApp, sem aplicativo de podcast ou o Spotify para ouvir durante meus deslocamentos por essa Essepê Desvairada; sem Snapchat – sim, eu sou uma das poucas que segue curtindo essa rede social -, sem busca no Google, sem postar foto no Instagram, sem acompanhar real time os tuítes da @CamilaPintanga e da @veraholtzirreal, rainhas da melhor rede social.

Daí a Sócia perguntou “Glê, como foi ficar esse tempo sem celular?” Pelo WhatsApp, assim que adquiri um novo aparelho e desbloqueei o chip. A resposta foi um audiozão – que a Déborah e eu somo adeptas.

Antes, deixa eu contextualizar: carnaval de rua de São Paulo, eu, toda feliz e faceira no bloco Tarado Ni Você. De doleira, para carregar o essencial e o celular, que sou uma mina esperta. Divino Maravilhoso estava em seus acordes finais e a galera em êxtase, cantava, despertando o Caetano Veloso ou a Gal Costa que existe em cada um:

É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte
É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte

Tirei o celular da doleira, para ver as horas… que tal conferir o que acontece na rede social, rapidinho, agora que o bloco fez uma pausa. De repente, o celular some da minha mão… sim, num lance de desatenção, eu, que estava sozinha aquele dia, tive o celular furtado. Frustração, impotência, desamparo foram as sensações que me visitaram. Enfim… voltamos à pergunta da Déborah.

Ficar sem celular trouxe algum desconforto, dificuldade? Sim, mas nada que não consegui resolver.  Para uma produtora de conteúdo full time, foi um desafio. No geral, a experiência foi positiva.

A história é que fiquei sem celular e vontade zero de comprar um novo. A situação financeira contribuiu para isso, of course. O que fazer dos meus trajetos? Como me comunicar com as pessoas? Onde encontrar diversão e inspiração no ócio criativo?

{ Ok. Sem dramas. É possível e tranquilo viver um período sem celular. }

Primeiro, a comunicação com as pessoas. Não fiz post no Facebook sobre. Avisei familiares, clientes e amigos com quem costumo falar sempre por mensagem. E segui com minha vida.

Nestas duas semanas li mais livros e revistas. Revista é algo que deixei de ler há um tempo, cansada de conteúdos mais do mesmo (adoro essa expressão). Resolvi comprar algumas, para prestigiar mulheres que admiro e que estamparam algumas capas e conteúdos. Foi bacana me surpreender com novos posicionamentos e linha editorial de algumas.

Livros: estava lendo Livre no aplicativo do Kindle para celular e curtindo um bocado a leitura. Viagens interiores e trekking são duas paixões. Sem o celular, optei para dar continuidade em outras leituras iniciadas e começar novas histórias. Assim, abracei Valter Hugo Mãe (A Desumanização) e dei boas-vindas a Clarice Lispector (A Paixão Segundo G.H.), Eduardo Spohr (Filhos do Éden, livros 1 e 2).

Eu sou observadora. Agora mesmo, me perdi observando um senhor mulçumano caminhando devagar pelo Terminal Barra Funda, braços cruzados nas costas, aparentemente refletindo sobre o sentido da vida – por minha conta essas impressões, claro. Como a este senhor, nos deslocamentos, segui observando pessoas e os mesmos lugares com outro olhar. Geralmente, estaria com a atenção voltada para o podcast que estivesse ouvindo ou em algum vídeo ou rede social.

{ sim, escrevi esse posto enquanto me deslocava por São Paulo. }

Olhar para o mundo ao redor me faz tirar fotos. Gosto de registrar o cotidiano em imagens. Sem celular, sofri. Foi aí que senti de fato a falta de ter um celular. O que posto de fotos no Instagram – me segue? @glemorais; não troco likes nem SDV ^.^ – e, algumas vezes no Facebook, é talvez um terço das fotos que tiro. Optei por desapegar do sofrimento.

Claro que adepta que sou das tecnologia tudo não foi simples me ver sem meu gadget-companheiro-de-tantas-jornadas. Mas, a gente se acostuma a diversas situações e cenários. E rápido.

Se senti falta de algo mais? Dos audiozões que a Sócia e eu trocamos sobre trabalho e sobre a vida. Além dos memes, que somos viciadas nesse negócio de meme.

Estou com um aparelho novo. Mais simples que o anterior. Sinto falta da qualidade dos gráficos, da câmera e das ferramentas do aparelho antigo. Por hora, vou me adotando a esse.

Deixo algumas dicas para, caso você perca ou tenha seu aparelho roubado, sua vida não vire um caos.

  • Nuvem: minhas fotos são automaticamente salvas em serviços de nuvem. Uso o Dropbox e o Google Fotos. Para quem usa iPhone, o iCloud salva sua vida.
  • Bloqueio de tela: meu antigo aparelho, um Galaxy S6, tinha bloqueio por digital, o que me deu segurança para saber que até eu bloquear linha e celular, não havia como acessarem nada nele sem meus dedinhos.
  • Foi assaltada/furtada/perdeu o smartphone. Anota o número do IMEI que está na caixa do aparelho e na nota fiscal, liga na operadora para bloquear linha e aparelho. Faça um B.O. – fiz on-line – e informe o IMEI. Se tiver sorte e encontrarem seu aparelho, pelo IMEI no boletim, a polícia civil entrará em contato.
  • Tanto iPhone quanto Android têm ferramentas para rastrear, bloquear e apagar o aparelho. IMEI bloqueado: o celular fica inutilizado. Para desbloquear, só indo à uma loja da operadora com a nota fiscal de compra.

No mais, sejamos felizes, equilibrando vida on e offline. A tecnologia nos aproxima das pessoas – estou falando com um primo na Bahia e estamos em busca de mapear a árvore genealógica da família; até pouco tempo não tinha contato nenhum com os familiares de lá. Contudo, ela também pode nos afastar de quem está ao nosso lado. Como disse minha amiga Fernanda, que se dá o direito e prazer de levar uma vida menos digital:

“O tempo escorre pelo teclado. E pela rede.”

Vou procurar inspirar-me mais nela. =}